Não existe receita para criar filhos


A partir do resultado positivo da gravidez começa uma série de dúvidas sobre quais as melhores escolhas. Fazer o exame de sexagem fetal ou aguardar para saber o sexo do bebê no ultrassom? “Ah, talvez seja melhor aguardar o bebê nascer para saber” sugerem algumas pessoas. Qual o melhor obstetra? Ou é melhor fazer pré-natal com uma enfermeira obstetra? Cesárea agendada? Parto humanizado? Parto domiciliar? Contratamos uma doula?

E depois que o bebê nasce? Qual método infalível adotar? Criar com independência, desde o nascimento? Criação com apego? Vai colocar na creche? Deixar com a avó? Parar de trabalhar? Eu vivi situações diferentes e hoje afirmo que não existe certo ou errado, mas sim, existem formas diferentes de maternidade e paternidade e isso vai variar de acordo com a dinâmica de cada família.

Quando engravidei da minha filha mais velha, eu tinha 24 anos, tinha acabado de casar e achava que todas as respostas para a maternidade estavam nos livros. A encantadora de bebês (autora do livro do mesmo nome), tinha uma verdadeira “receita de bolo” de como criar bebês perfeitos, e eu já sabia todos os passos. Já havia determinado que ela ia dormir no berço dela desde que nascesse, que usaria chupeta (afinal de contas eu não ia ficar o dia inteiro dando mamar) e seria criada com independência total.

Em relação ao parto, eu morria de medo de qualquer opção apresentada. Preferia mesmo que os bebês viessem no bico da cegonha, mas como, tudo o que entra sai, tinha que me preparar para esse desafio. Não tinha muita coragem de saber sobre o assunto. Escolhi uma médica que acompanhou uma amiga e confiei em tudo o que ela me falou, sem questionar muito. Ao chegar nas 40 semanas de gestação, sem sinais de parto, ouvi da obstetra que não dava pra esperar e tínhamos que agendar a cesárea.

Sofia nasceu, dormia a noite toda, usava a tal da chupeta (que no fim das contas atrapalhou e muito a amamentação) e logo não conseguiu ficar exclusivamente no peito. Entramos com complemento artificial aos 3 meses. Com 9 meses ela não quis mais saber de mamar.

Antes de engravidar de novo eu comecei a ler outras coisas e conversar com algumas amigas sobre parto normal. Quando fiquei grávida do Fernando já sabia até quem seria minha doula. Acho que nunca li tantos artigos científicos na vida, como li para parir. Descobri uma maternidade diferente da primeira. Mais madura, mais consciente das minhas escolhas, sem me importar muito com a opinião de outras pessoas e passei a decidir de acordo com meus desejos. Optamos por um parto humanizado, hospitalar. Aquele medo que sentia antes, não desapareceu por completo, mas não tinha medo de morrer numa cirurgia. Tinha pavor da dor, mas também sabia que desde que o mundo é mundo as crianças nascem e tudo dava certo na maioria das vezes.

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Fernando chegou ao mundo de uma maneira diferente, num trabalho de parto longo, mas tranquilo, suave. Com tudo isso decidi que não ia mais tentar “adestrar” meu bebê desde o dia que ele nasceu. Lembro que tinha receio de ficar com Sofia muito tempo no colo, porque as pessoas diziam que ela ia ficar mal acostumada, e eu queria ser uma mãe exemplar. Mal acostumada com carinho… pensava eu. Conheci a teoria da exterogestação, que diz que os três primeiros meses do bebê são como uma continuação da gestação, e nesse período ele precisa de muito cuidado de colo e ficar perto dos pais (o sling é ótimo para isso), enquanto passa por uma lenta transição de reconhecimento do mundo.

Decidimos (eu e meu marido, porque esse tipo de escolha não dá pra bancar só) não dar chupeta e amamentar em livre demanda. E também resolvemos que ele ficaria em um bercinho ao lado da nossa cama, assim que nasceu (tenho medo de bebês pequenos na mesma cama dos pais) e lá permaneceu até não caber mais no moisés, com quase 6 meses. Até hoje Fernando mama e só passou a dormir a noite toda no berço dele há pouco mais de dois meses (Ele tem 1 ano e 9 meses). Confesso que a teoria é muito mais linda do que a prática e passar várias noites sem dormir direito amamentando foi dureza. Por outro lado, sempre penso que a infância dos filhos passa tão rápido que quero mais é curtir esses momentos. Acho tão gostoso dormir agarradinha com meus filhos, apesar dos chutes que levo de vez em quando, e sei que daqui uns dias eles nem vão sonhar em passar perto da cama dos pais.

Mas esse textão é só para contar que demorou muito, mas aprendi que não tem receita para ser mãe e pai. As minhas escolhas do passado foram baseadas no que eu ouvia dizer que era certo, principalmente de alguns familiares, e não no que eu realmente acreditava. As cobranças que ouvimos, as comparações, os julgamentos, fazem qualquer mãe sentir culpa. Hoje eu não julgo as escolhas das mães (antes de virar mãe era diferente), creio que cada uma deve ouvir o coração e fazer o que achar melhor para seus filhos, sem medo do que vão falar.

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