Não use somente o Enem como critério!


por Leonardo Soares

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Não use o ranqueamento do Enem como único critério para a sua escolha da Escola. Quer saber por quê? Nos acompanhe em mais uma reflexão da série “A Escola dos Nossos Filhos”

Olá pessoal! Seguindo a séria “a Escola dos nossos filhos”, eu gostaria de conversar um pouco com vocês sobre o ranqueamento do Enem como critério de escolha da sua instituição de ensino. Nos textos anteriores, nós apresentamos algumas dicas sobre a escolha da Escola dos seus filhos. A reflexão que eu quero retomar hoje é a seguinte: não use o ranqueamento do Enem como único critério para a sua escolha da Escola.

Veja, as avaliações de larga escala são importantes pois permitem que a comunidade acompanhe a qualidade das instituições de ensino. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi criado em 1998 e tem como objetivo avaliar a qualidade do ensino médio no País.

Hoje, o Enem é a avaliação mais esperada do ano e milhões de estudantes participam desse processo. Mas o que esta prova mede?  O Enem mede as competências essenciais que, em tese, a educação básica deveria estar fortalecendo nos alunos.  Essas competências estão relacionadas ao raciocínio matemático, à leitura e interpretação de textos, à capacidade de relacionar conhecimentos de diversas áreas e a habilidade para resolver problemas práticos.

Com o passar do tempo, boas notas no Enem começaram a ser associadas com a qualidade integral da escola, e a utilização do exame como critério para acesso ao nível superior fortaleceu ainda mais esse entendimento. É claro que isso acabou criando uma oportunidade interessante para o conceito de “Mercado de Educação” que vem surgindo nos últimos anos.

Mas, o que acontece é que colégios com melhoras notas no Enem acabam tendo uma quantidade maior de matrículas e, consequentemente, o seu valor enquanto instituição também acaba subindo. No caso das escolas públicas, quanto maior é a sua relevância no Exame Nacional, maior é o orçamento aprovado para o próximo ano.

Para os colégios privados, quanto maior for a nota no Enem, maior é o valor da mensalidade a ser paga. E aí que acontece uma distorção muito infeliz nessa ferramenta de avaliação. Como a nota da avaliação acabou sendo relacionada a questões financeiras e de poder das instituições de educação básica, algumas escolas se tornaram “especialistas” em participar da prova. Essas instituições fazem treinamentos específicos com seus estudantes, realizam captação dos melhores alunos de outras escolas por meio de incentivo de bolsas e, muitas vezes, acabam afastando alunos reprovados ou com um rendimento mais baixo do processo de avaliação do Enem. Também é comum encontrar escolas que não aceitam em seu quadro alunos com notas inferiores no período de avaliação do Exame Nacional.  Ou ainda, encontrar instituições que até mesmo criam um outro CNPJ para turmas especiais apenas para se destacar nesse ranqueamento.

Além disso, como bem é lembrado pela escritora Andrea Ramal, que é doutora em educação pela PUC-Rio, o ranqueamento do Enem acaba gerando um círculo vicioso: as escolas com melhor colocação acabam recebendo aqueles alunos que podem pagar mais. E quem pode pagar mais, geralmente traz uma bagagem cultural muito maior, o que acaba fortalecendo o próprio ranqueamento da instituição.  A autora também faz uma pergunta interessantíssima: será que as escolas que ocupam os primeiros lugares conseguiriam esse mesmo resultado se trabalhassem com filhos de famílias sem recursos e com baixa formação acadêmica?

Ao mesmo tempo, temos que lembrar que o Enem avalia apenas uma dimensão do ensino. Como a professora Andrea Ramal também nos lembra, as competências emocionais, a atitude empreendedora, a postura cidadã, a habilidade de relacionamento interpessoal, os hábitos e valores que o aluno traz da infância e adolescência e o próprio papel da família no processo de ensino e aprendizagem não são avaliados nesse instrumento. E aí vem aquela pergunta: será que queremos que nossos filhos sejam excelentes “fazedores de prova”, ou queremos que eles sejam pessoas preparadas para a vida? Pense nisso!

 

Conheça um pouco mais sobre o projeto Esquina do Pensamento! Visite o nosso canal em https://www.youtube.com/leonardosoareseduc e https://www.youtube.com/ricardomariz.

 

Um grande abraço!

 

Sobre o autor:

Leonardo Humberto Soares é Doutor em Educação pela Universidade Católica de Brasília (UCB) e atua na área de concentração de “Ensino-Aprendizagem”, tendo como foco de pesquisa as seguintes dimensões: Tecnologias Educacionais, autoridade doente, tecnologias digitais virtuais (TDV); educação online; transdiciplinaridade; complexidade e autopoiese; formação docente; e parâmetros éticos e morais em procedimentos de pesquisa baseados em ambientes virtuais. Possui Mestrado pela Universidade Católica de Brasília (UCB), pós-graduação lato sensu em Educação a Distância (UCB), Gestão Empresarial (UniCEUB) e Desenvolvimento de Software Livre (UCB). É graduado em História pelo UniCEUB e possui experiência profissional em análise de sistemas. Atualmente, é professor universitário no Centro Universitário de Brasília atuando, sob demanda, nas seguintes disciplinas: Gestão Empreendedora, Filosofia; Raciocínio Lógico e Filosofia Crítica; Gestão de Sistemas de Informação; Tecnologia da Informação; Tecnologia e Suporte à Decisão; Técnicas de Negociação; Ética, Cidadania e Realidade Brasileira I; Ética, Cidadania e Realidade Brasileira II; Curso de Formação de Tutores; e Monografia Acadêmica. Administrativamente, foi editor responsável pela Revista Gestão e TI, vinculada à Faculdade de Ciências Tecnológicas e Sociais Aplicadas (FATECS), fez parte do Núcleo Docente Estruturante (NDE) do curso de Administração e trabalhou durante oito anos na Comissão Própria de Avaliação (CPA) ligada a Direção Acadêmica Institucional. É professor da cadeira de TI da pós-graduação lato sensu em Gestão Empresarial (UniCEUB) e orienta Trabalhos de Conclusão de Curso nesta Instituição. Por fim, atua como Assessor Pleno da Área de Gestão da União Marista do Brasil – UMBRASIL.

 

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